Decidi me dedicar integralmente a carreira fotográfica e (me) empreender há pouco mais de um ano.
E 2017, grande professor da escola da vida, me ensinou algo muito importante:
ser autônomo é muito doido.

Pra mim, a principal diferença de não ter um emprego é que as coisas não chegam pra você sozinhas. Por mais que ter propostas, se envolver, querer melhorar processos sejam qualidades que eu espero de mim quando trabalho pra alguém, como funcionário, sempre haverá o chefe, ou algum mínimo de direcionamento a ser seguido. E quando se é autônomo, não se tem nada disso.

Você tem em mãos seus sonhos com algumas intuições de como alcançá-los, um monte de frustrações com o mercado que você gostaria de não repetir e um mundo, mas um mundo de dúvidas, de despreparo, de imaterialidade. As demandas não chegam do céu. O que você fará hoje depende só de você. E se você fizer ou não da melhor forma possível, ninguém se importa. A rotina é louca, o dinheiro não chega e, ao invés de cartas de parabéns pelo seu empenho (ou alguma sugestão divina de como proceder), os Correios só lhe entregam os boletos. Uma surra de vida adulta.

Prospectar, captar, atender, solucionar, fotografar, editar, tratar, reavaliar, revisar, refazer e começar tudo de novo (ou fazer tudo ao mesmo tempo), seja pros clientes, ou pros próprios projetos. Por vezes são cinco, seis, sete, por vezes não há nada (e nem ninguém). De repente, o ano passou e você ainda não editou o ensaio que fotografou em março, ou a viagem de aniversário de outubro do ano passado, ou a foto fofa da sua cachorrinha de três dias atrás.
Queria eu descobrir como fazer o dia ter 36h.

Mesmo que o tempo falte, por vezes ainda sobra uma graninha e, na sede de aprimorar, de garantir a melhor qualidade possível e realizar os próprios sonhos, nunca se sabe se é hora de comprar aquela nova lente, investir em algum curso, produzir mais portfólio, encontrar um parceiro, ou, simplesmente, tirar férias, namorar e se desligar de tudo isso.

2018 está aí. E isso me lembra que vão se completar dez anos que eu entrei no ensino médio — e que eu achava que aos 25, minha idade atual, eu já seria milionário. O tempo corre e vamos acumulando todos esses aniversários, anexados a uma lista sem fim de tudo que ainda não foi possível — mas que alma e coração, inquietos, não deixam (e nem deixarão) de querer e sonhar.

Amanhã, sexta-feira, já não é mais novembro. 2017 anuncia seu adeus. E empreender nesse ano foi como remar e remar, sem muito saber para onde, mas sem deixar o barco afundar, nem a correnteza levar.

Saber que já é natal e que logo cantaremos que hoje é um novo dia, de um novo tempo me fez refletir sobre esse momento, sempre na expectativa de que o futuro seja mais leve que o presente. Trabalhar por um sonho nunca será fácil, mas que tenha cada vez mais sentido do que já tem e que seja cada vez mais gostoso do que tem sido.

É suado, mas vale demais <3